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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ottawa e sua National Gallery

   Chegamos a Ottawa ( a sílaba tônica é o 0) no início da tarde. Bonita estação de trens. Deixado o comboio, após nosso mais longo trecho por planícies e mais fazendas com plantações de trigo e feno e talvez cevada, lá estávamos. Não sendo central, fomos de táxi até o hotel, na cidade. Ficamos hospedados no excelente Albert at Bay hotel .albertatbay.com
  Resolvemos passar o fim de semana na cidade. Por ser a capital do país e uma cidade administrativa, sabíamos que ela estaria tranquila no fim de semana, o que nos permitiria também um certo descanso dos dias anteriores.
  Como toda capital, os pontos de maior interesse são os edifícios relativos aos poderes do país.
  Desta forma, descemos a rua do hotel e fomos conhecer a Corte Geral de Justiça e logo depois o Parlamento. Tivemos a fortuna de ver uma tradicional troca de guardas e parada de soldados com seus uniformes britânicos-like, iguais aos do Reino Unido, com banda, direito a gaitas de fole e parada.



 Bastante interessante, principalmente para quem tem aquele carinho de infância por soldadinhos. Logo depois , fomos visitar o exterior do Parlamento. O prédio tem estilo bem britânico, com sua arquitetura anglosaxônica típica, parecendo que saiu do falecido arquiteto do parlamento de Londres.
 O que me chamou mais a atenção foi a sua grande biblioteca, em um prédio lateral ao Parlamento, com sua geometria em forma de cilindro. Uma jóia cujos livros se fazem merecedores.
  Ao lado do parlamento observamos jardins muito bem cuidados. Um microzoo com um guaxinim passeando- aquele mesmo que servia para, assassinado, produzir os chapéus do Daniel Boone de um seriado de TV dos anos 60-70. Hoje o bichinho é cuidado com carinho (os descendentes dos que não viraram chapéu).


  Depois fomos curtir um restaurante ao ar livre em uma das ruas paralelas ao Parlamento. Tomamos um vinho e ouvimos o show ao vivo de uma espécie de Barry White canadense, que cantava as senhoras desacompanhadas enquanto destilava-se em whiskey- a versão canadense do produto escocês- e dedilhava seu órgão e sua voz rouca e poderosa, mas sofrível. O que importa é que  até compramos um cd do performer, que nunca ouvimos.
  Passeamos pelo comércio e rumamos para um daqueles restaurantes tipo outback.
  No dia seguinte; um dia lindo de verão, fomos ao famoso e simpático canal Rideau. Pista de patinação no inverno e , no verão, um lugar bacana para se passear, observar seus patos competindo por espaço, seus pedalinhos, estátuas e jardins que o margeiam, e muita gente bonita.
  Terminamos o dia indo ao espetacular National Gallery http://www.gallery.ca/. Trata-se de um museu enorme, cujo aspecto mais interessante é a história do Canadá exposta em diferentes salas. Desde a cultura nativa dos seus habitantes autóctones , ate´os tempos atuais, passando por seu período de colonização, imigração, independência (relativa), constituição da nação bicultural e muito mais.
O que achei mais bacana é que você entra na história, porque existem atores que fazem o papel de colonos na época do início de sua colonização e te levam, por dentro de ambientes que simulam uma antiga cidade canadense do século 16, a se sentir parte da existência do lugar, com seus aspectos culturais, suas formas de convívio entre os habitantes e seus costumes. Você é tratado como parte da trama, como naqueles teatros experimentais. Adorei...
              ''Carte geographique de la Nouvelle France"
  No dia seguinte, pegamos novos trilhos e seguimos para a cidade do Jazz, já em terras francocanadenses. a NOUVELLE FRANCE: Montreal em Quebec

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Toronto. Muito mais que uma pequena Nova Iorque

     Toronto é definitivamente uma grande cidade. Seus prédios  parecem alcançar as estrelas. Uns mostrando aos outros as suas vestimentas de vidro, cimento e metal.  Com suas  arquiteturas de diversos estilos de época, gerando admiração e inveja nos demais arranha-céus. Aos seus pés, divididos por entre grandes avenidas - que diante do gigantismo das edificações parecem minúsculos caminhos- circulam microscópicos automóveis e muita gente, que se não fossem pela quantidade, nem seriam sequer notados.

    Sempre  lambida por um vento constante que vem de seu grande lago, o lago Ontario, podendo refrescar um dia quente de verão ou congelar os ossos nos demais dez meses do ano.
   Toronto é bela, em sua modernidade. Cosmopolita. Com gente  representando  todo o planeta , seja por suas faces,  por infinitos restaurantes de todos seus recantos, bares, cafés e lojas multiétnicas. Seu charme torna injusta a máxima de que seria somente uma pequena Nova Iorque. A assertiva tola, a toda hora ouvida dos locais, de que produtores e cineastas filmam em Toronto para fingir ser Nova Iorque, não me parece nenhum elogio. Toronto não precisa da comparação com a gigante do sul para se promover.

   Vale á pena andar por seus diversos bairros. Perca-se por entre áreas de grandes prédios,regiões de ruas estreitas  com casas vitorianas, lojinhas variadas, restaurantes de cores e sabores estranhos e diversos, ou suas avenidas de grandes lojas e enormes  shopping centers, mas tudo com uma calma e limpeza tão canadense quanto a sua folha símbolo.
    Depois de um longo voo, chegando ao hotel, tome uma chuveirada e "pé na rua". Hospedei-me no Metropolitan hotel, de boa localização e boa relação custo-benefício . www.metropolitan.com/toronto
   Após o citado banho, caminhe até o famoso shopping Eaton Centre na chamada Downtown Yonge www.torontoeatoncentre.com. São centenas de lojas e uma grande praça de alimentação, para se avaliar e, eventualmente, comprar alguma lembrancinha, ou muito mais. Ao final deste primeiro dia, vá a um pub ou um café perto do hotel. Tome um drinque relaxante antes de recuperar o sono perdido.
   Na manhã seguinte, optei por visitar Niagara falls. Para conhecer a famosa queda d'água, pegamos o trem da estação central de Toronto e, após 1h 52 minutos, passando por cidades e planícies de fazendas, chegamos á pequena estação de Niagara Falls. O trem sai às 8:52 hs e retorna ás 18 hs, sendo estas as únicas opções de horários.
   Pode-se ir de diversas outras formas a Niagara. Desde excursões até  um carro alugado. Mas foi esta a opção que fizemos. Tudo comprado no site da eficiente  http://www.viarail.ca/ .
      Da estação, pegamos um ônibus para o parque onde fica a famosa cachoeira. A região é bonita e as quedas d'água – são duas- são um tanto impressionantes. Talvez um pouco chochas para quem está acostumado às quedas do Iguaçu. É natural do ser humano se encantar mais com o que não pode comparar. Um defeito humano apenas. As cachoeiras merecem mais. São bonitas sim. Há um passeio que os locais adoram, de barco, até próximo das mesmas, onde você poderá se encharcar com as suas águas.

    Após a vista das cachoeiras, há uma grande torre observatório e uma cidade  repleta de ruas, com lojas e restaurantes de tudo que há de  pior na cultura norteamericana. Tudo que for junk food, ou lojas de tralhas, bugigangas e porcarias, com uma poluição visual de doer na alma, está por lá. Tudo de um mal gosto absurdo. Para quem conhece, parece uma pleasure island da disney misturada com gente e uma bagunça que lembra a José Paulino em São Paulo na véspera do natal ( sem preços em oferta).

   O que salvou o dia foi termos descoberto um shopping cassino, onde pelo menos havia um ar condicionado, em um dia abrasante de verão, e um restaurante agradável.
   Aconselho a não me imitar e alugar um carro por um dia para visitar a região. Um aluguel de um dia fica a bom preço e você poderá visitar, após ver as quedas d'água, a cidade de Niagara on the Lake , que vale uma visita. Ainda tivemos de esperar um atraso de mais de 1 hora no trem do retorno, devido a medidas de segurança reforçadas no trem, que vinha dos EUA.
   No dia seguinte, pudemos curtir enfim a cidade de Toronto. Começamos o dia caminhando pelo centro até a torre CN. Após a revista de praxe e filas, seguimos para o seu observatório, em um dia muito bonito. É bacana ver o gigantismo da torre e a vista de toda a região em um verdadeiro cinema 360 graus ao vivo. Dá noção de como somos ínfimos no meio daquele mundão todo.
   Finda a visita, seguimos de taxi para Kensignton market, apesar do bom sistema de metro. http://www.ttc.ca/ . Trata-se de um bairro descolado, com arquitetura que vai de vitoriana a algo inclassificável, louquíssimo. Cafés descolados, lojas de multiprodutos de todas as origens planetárias e, não duvido, extraplanetárias. Almoçamos em um restaurante fusion de cozinha oriental-ocidental, com uma decoração belíssima , estilo budha bar de Paris. A visita ao bairro vale á pena, por entre seus tipos tão diversos e tantas multicores.
   Á noite, vá a um dos seus shows no seu Entertainement district, com seus diversos teatros. Reservas e compras em  http://www.mirvish.com/
   Termine a noite em um restaurante de um dos seus bairros étnicos. Existem distritos de diversas origens: italiano, coreano, polonês , grego, indiano e claro, canadense. Descrições e reserva online de restaurantes no superprático http://www.opentable.com/ , inclusive com aplicativo para iphone.
   Ainda deu tempo para um passeio rápido pela Bloor street, área de grifes e de restaurantes chiques, região dos ricos da cidade, com lugares bonitos e de bom gosto. Para chegar lá, pegue o metro TTC para a estação Bay.
   Há muita coisa a mais para ver e fazer em Toronto. Precisamos de novas visitas para ir a seus parques e a outros bairros, ou quem sabe a um jogo de hoquei ou basquete. Ficam as boas embranças enquanto embarcamos para nossa próxima etapa: Montreal via Ottawa

Canadá do leste. Vá de trem

   Enquanto no oeste canadense a grande atração é a beleza das suas montanhas e florestas de pinheiros, no leste canadense, apesar das suas belezas naturais, as grandes cidades despontam como os endereços mais cobiçados a turistas ávidos por novos conhecimentos.
   Partindo deste princípio, desejei evitar o excesso de voos, com seus check ins demorados e cuidados de segurança inflados. A opção óbvia poderia ser um automóvel, mas resolvi conhecer esta região de outra forma: de trem.
   Os trens europeus são uma paixão que guardo desde muito, e a possibilidade de viajar cortando lindas paisagens, sem a preocupação de se apresentar para o embarque 2-3 horas antes, me pareceram bem convidativas neste percurso entre cidades. Optei por iniciar a viagem por Toronto, porta de entrada mais tradicional do país e, a partir daí, fazer um circuito de trem entre Toronto e Ottawa, depois Montreal , e por fim Quebec- a cereja do bolo.
   Depois de não muto pesquisar, encontrei o simpático site da VIARAIL CANADA http://www.viarail.ca/en , onde você poderá obter todos os valores de passagens e passes de trem para viajar por este imenso país. O meu planejamento e compra foi todo pelo site e, em terras canadenses, tudo funcionou perfeitamente bem. É importante estar alerta para as distâncias entre as cidades e o tempo de viagem para se planejar bem. Faça com bastante antecedência a sua compra e poderá obter tarifas bem especiais.
   É importante ressaltar que você não estará na Europa. As estações de trem de Ottawa e de Quebec, por exemplo, não são centrais, e você terá que ir de taxi para o centro da cidade. As opções de horários são muitas, mas não tão ricas como a de uma rede alemã de trens. O conforto e limpeza dos trens é excelente, como seria de se esperar. Os lanches, contudo, vendidos a bordo, não são grande coisa e recomendo a você se programar para embarcar levando seu lanchinho.
   Algo que achei bacana é o serviço de check in de bagagens, que é feito antes do embarque. Ao contrário de trens europeus, em que você segue para o mesmo por conta própria, nos trens canadenses forma-se uma fila perto da hora do embarque, faz-se a entrega de tickets e o check in das bagagem neste momento. A exceção foi Ottawa, onde fiz o check in das bagagens em um balcão próprio nas estação. Não se preocupe.  Os canadenses são muito solícitos e educados. Você não terá dificuldades, ou aquela cara por parte do controlador de bilhetes, fulo da vida, por achar que você deveria já conhecer todo o procedimento de embarque, como acontece no seu vizinho debaixo.
   Simplesmente adorei e aconselho esta forma de transporte como uma opção para conhecer o leste canadense.
   Distâncias e preços médios de passagens nos trechos realizados:

TORONTO- OTTAWA – 4 H 30 MIN ( 78 CAD)
OTTAWA- MONTREAL- 1H 30 MIN ( 35 CAD)
MONTREAL- QUEBEC- 3H 10 MIN ( 50 CAD)

   Nos próximos posts falaremos das cidades canadenses do leste.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vancouver . A Metrópole do Oeste canadense

   Vancouver é o tipo de cidade que tem o espirito canadense, em toda a sua plenitude. Limpa, organizada, com transporte público eficiente, universidades tradicionais, distribuição social equitativa, saúde pública avançada e de qualidade. O que mais se pode querer de uma cidade?
   Esta metrópole, no oeste da América do Norte, a ultima grande cidade do norte das Américas beirando a pacífico é, na verdade, parte ilha ,parte continente.
   Se não tem o frio polar de outras regiões do país, tem a fama de conviver de forma tão habitual com sua maior companheira, a chuva, que muitas pessoas já até abandonaram o hábito de usar guarda-chuvas para se proteger. Por isto muitos a chamam de raincouver.
   O avanço das grandes ferrovias que exportavam as riquezas canadenses e a localização -uma abertura para o distante Oriente- a tornaram em ponto de atração para imigrantes de toda a Ásia. Seu aspecto cosmopolita e seus sotaques e ideogramas chineses são um contraste interessante, seja em sua grande chinatown, ou mesmo pelos sinocanadenses tão comuns por toda a cidade,
Como toda cidade à beira mar, Vancouver tem o seus encantos.

   Trata-se de uma grande metrópole, com seu centro (downtown) repleto de prédios gigantescos, os típicos bancos e corporações canadenses e também de poli-nacionais( antigas multinacionais), que se acotovelam para caber em seu relativamente pequeno espaço. Lá ficam boas opções de hospedagem, como o charmoso hotel Le soleil <,www.hotellesoleil.com> as ruas de comércio de grifes internacionais, com a Robson street como seu ponto mais tradicional, e pessoas que vão e vem. Admiramos as suas fisionomias, nós habitantes do sul, pela heterogeneidade de tipos físicos, algo mais raro por nossas bandas. Traçados em tabuleiros de xadrez, gente, gente, gente...
   Fugindo desta área central, encontramos um bairro muito interessante, que já abrigou trabalhadores de menor poder aquisitivo no passado. Hoje, com seus prédios de tijolos vermelhos, que parecem armazéns, repletos de lojas e restaurantes- mais simpáticos e menos opressores que os tijolinhos dos prédios ingleses- torna-se um dos pontos mais interessantes desta cidade. Apesar de um tanto too much turística, esta região tem charme e é o lugar ideal para se passear e se beber uma cerveja, uma taça de vinho branco canadense, ou um chocolate quente: trata-se de Gastown.

   É curioso saber que um daqueles administradores geniais, no passado, chegou a pensar em destruir este bairro. Tal empreitada gerou uma das maiores revoltas populares locais, só comparável a comemorações de títulos de campeonatos de hóquei dos Canucks. Para o bem de todos, o bairro sobreviveu, e está lá a sua espera.
   Além de Gastown, é agradável passear por outros pontos bem próximos. Caminhando de Gastown ou do centro, você chega facilmente ao Canada Place. um centro de convenções com um grande hotel de onde partem os diversos cruzeiros semanais, com rumo ao norte – principalmente o Alasca. Seus tetos em vela são uma marca da cidade e a visão da baía é particularmente bela deste ponto..

   Um outro passeio imperdível é o Stanley Park. Com seus diversos jardins, sequóias centenárias,esculturas, e muito verde, é um local bacana para se olhar a cidade e a baía, com uma bela silhueta da formosa Vancouver.

   O aquário da cidade é uma outra atração bastante conhecida, com suas mais de 60000 espécies marinhas do pacífico ou perioceânicas, valendo uma visita.
   Gostei muito da menos comentada Garnville island. É charme puro. E´um dos pontos mais interessantes da cidade, com seu mercado, suas lojas, sua visão de barcos e pontes, sua riqueza de tipos e de lojinhas de comércio e de arte.

Há restaurantes bacanas e acredito ser o local perfeito para se curtir um final de dia, fugindo do burburinho de grande metrópole. Aconselho frutos do mar, sempre maravilhosos e frescos. A conselho, pela beleza e excelentes pratos  o Bridges restaurant <www.bridgesrestaurant.com>

   Vancouver, esta pérola do pacífico canadense justifica uma visita, seja para apreciar suas belezas naturais, seja para constatar in loco a sua qualidade de vida, comparável a poucas cidades no mundo.

No próximo post , vamos passear pelo Leste Canadense, de trem..

sábado, 4 de setembro de 2010

As rochosas Canadenses e o Lago Louise

   A minha viagem começa por Calgary. Esta cidade é a melhor porta de entrada para quem deseja conhecer as montanhas rochosas canadenses. Ao sobrevoar este Texas canadense, observamos uma grande planície coberta por um verde imenso de fazendas , que divididas uma das outras por fronteiras estreitas, chegam até o aeroporto da cidade. Escolhi visitar o Canadá no verão, o que acredito  tenha sido uma idéia razoável, para fugir do incômodo de seu frio inerente. Pousamos a 20 graus celsius, em um dia ensolarado, vindos de Los Angeles, após 3 horas de um  vôo  tranqüilo em um EMBRAER 190.


   Uma delícia pousar em um solo canadense em uma avião da canadian -companhia aérea do Canadá- brasileiro na sua origem, e justamente no país da concorrente bombardier.
  Após os trâmites de imigração e aos tradicionais questionamentos , saímos em busca da empresa de aluguel de carros. Caso você nunca tenha alugado um carro no exterior, talvez o Canadá, com suas estradas perfeitas, a "mesma mão" do Brasil, distância medida em km, seja um ótimo lugar para perder aquele medo que eventualmente você ainda possa ter de dirigir fora de casa.

   Saímos do aeroporto e pegamos a estrada para o parque florestal das montanhas rochosas (Banff, Lake Louise park), ao oeste. Depois de 2 horas em 135 km dirigindo por entre fazendas de trigo e cevada, por uma grande planície, chegamos ao portão do parque. Compramos um voucher referente ao número de dias que ficaríamos na região, o colocamos no vidro dianteiro e seguimos para o nosso hotel.
  Mais alguns bons quilômetros de estrada, passando agora por florestas de pinheiros e por riachos nervosos de chão de cascalho, típicos da imagem que se tem desse país, observamos ao longe as primeira montanhas: imponentes enquanto seguimos para nosso destino: Lake Louise.

   Em verdade, para conhecer a região, você pode optar por ficar em Lake Louise ou na simpática cidade de Banff.

   Uma outra opção que nos pareceu interessante seria alugar um motorhome – vimos dezenas- e seguir estrada acima. http://www.motorhome.com/
                                                
  Em Lake Louise há várias opções de hotel. Porém, se você for a esta região, o que provavelmente só acontecerá uma vez na sua vida,  planeje-se com antecedência , e pesquise sites de reserva de hotel para ficar duas diárias nele que é o mais celebrado hotel do Canadá e um dos seu maiores cartões postais: o Chateau Lake Louise. www.fairmont.com/lakelouise


   Um enorme palácio-castelo, que os engraçadinhos dizem parecer mais uma grande penitenciária, com um interior cheio de lojinhas e de restaurantes de um lado, e do outro lado o paradisíaco e verde lago Louise, redondo, na frente do hotel, com uma grande montanha por detrás , de onde desce como uma grande língua, uma geleira, cobrindo o seu maciço central. A visão é maravilhosa, e por você estar hospedado ali, faça destes dois dias, momentos bem tranqüilos para descansar , passear à beira do lago, tirar fotos e curtir a fauna humana que vai passando: os casais apaixonados, os estridentes japoneses, os deslumbrados europeus. Termine seu dia em um dos restaurantes internos, com vistas para este cenário magnífico. Lake louise é um daqueles locais , que pela sua beleza, serão inesquecíveis para você, e o fará lembrar que naquele momento você foi feliz nesta vida.
     Visite a simpática Banff, pertinho da nossa Louise. Estacione o carro perto da rua principal, ande pelas simpáticas lojinhas e compre lembrancinhas sinocanadenses. As estradas marginais da região levam a lagos, cachoeiras e belas paisagens recheadas de pinheiros e eventualmente de alguma vida selvagem, como um Caribu perdido ou um urso - se é que realmente restou algum.


   No terceiro dia , acorde mais cedo. Fique na torcida para que o clima esteja bom. Você iniciará os 232 km para o norte, pelas estradas da chamada icefield highway, aquele que é considerada uma das estradas mais bonitas do mundo, pela exuberância de suas montanhas , as cores vibrantes de tintas azuis e verdes de seus lagos, de sua geleiras eternas e seus picos nevados.


   Acordamos cedo, e após passarmos no centro de turismo na entrada de Lake Louise, nos munimos de uma mapa que mostra os lugares a serem visitados na estrada, e seguimos norte , em direção a Jasper.

   A estrada é para ser curtida bem devagar, como quem saboreia um último chocolate de uma caixa que não verá mais. Deixe a máquina fotográfica já preparada e comece esta extraordinária epopéia.

   São flores de diversas tonalidades, abraçando as laterais da estrada. Lagos de diferentes nomes e tons. Montanhas de tamanhos diferentes. Algumas com neve, outras de maciça rocha que o verão fez seus gelos derreterem. Lagos redondos, pequenos, enormes. Passarinhos. Roedores atravessando a estrada. Avisos de perigo de avalanche para os períodos mais frios. Florestas de pinheiros como a pele de muitas destas montanhas. A cada curva, uma nova visão deste paraíso em cordilheira. Para quem vem do calor tropical e das baixas montanhas, o cenário aparenta mais mágico ainda. Passam grupos de motociclistas, carros potentes, motorhomes. Você sente a necessidade de parar de tempos em tempos para uma foto. E segue o dia .


  Os 232 km de estrada vão parecendo curtos. Chega-se a um grande centro–athabasca- onde há um passeio em ônibus gigantes por uma geleira (questiono se não a destruirão no futuro, devido ao fluxo de turista. Mas ao pegar estrada e chegar à beirada da geleira, vejo que os megaonibus parecem pulgas em cima de um elefante que é a enorme formação glacial). E concluo que somos menores que uma pulga. Não somos nada na nossa pequenez e pressa que passamos por este planeta.
Caso você deseje realizar este paseio, não deixe de levar, mesmo no verão, um bom casaco e luvas de frio.


   Chegamos a Jasper. Optei por voltar para calgary no mesmo dia. Deveria ser mais sensato ir até Edmonton e dormir por lá, curtindo o maior shopping center do ocidente. Mas que importa. Inebriado pelos ares das rochosas canadenses tanto faz. O próximo roteiro será Vancouver...

“Oh Canada”.

“Oh Canada”.

      Ressoa em meus ouvidos a frase cantada em hino deste grande país.
  Com mais de 9 milhões de km2, o Canadá é o segundo maior país do mundo. E apesar de suas paisagens  alvigélidas a maior parte do ano, suas belezas são inquestionáveis. Com sua população morando praticamente toda a poucas centenas de km da fronteira sul do país mais rico do mundo, isto poderia contrangê-los. Mas muito ao contrário. Se alguém quer um argumento contra a idéia de que os EUA são a nova Roma, um destes seria que o grande império romano não teve, em nenhum momento, um vizinho invejado em que seus cidadãos vivessem melhor do lado de lá da fronteira.

  Quando viajo, gosto de ir muito além dos elementos geográficos, ou dos eventuais “pontos turísticos”. Um prazer é o de tentar descobrir, naqueles poucos dias de contato com as pessoas, qual é a alma daquele povo que se está visitando.

  O Canadá, com seu povo de dupla origem: inglesa e francesa, somado aos montões de imigrantes e de suas nova gerações de todos os cantos , principalmente asiáticos, transforma estas terras do norte em um dos países mais cosmopolitas do mundo. Este lado multiétnico canadense , associado a uma história baseada numa sólida democracia liberal política e também social, transforma esta terra em um dos maiores centros da tolerância, eqüidade de oportunidades e tranqüilidade social do nosso planeta. Sob a égide da presença da Rainha inglesa e do orgulho quebeçoise franco, incrivelmente lado a lado, com um tempero chinês, se extende esta grande nação.


  Para quem quer conhecer o Canadá, o primeiro passo é conseguir o visto de visitante, no seu consulado em São Paulo, no caso de brasileiros. Faça com antecedência.Um despachante de confiança é o melhor caminho e, depois de enviados os documentos de praxe que comprovam que você não é um possível emigrante, o seu visto avermelhado com um dos seus símbolos: um guarda da polícia montada, enfeitará o deu passaporte.

  Há vários canadás a serem conhecidos. Basicamente, aconselho a dividir o país em dois e conhecê-lo em momentos distintos. Na costa Oeste, situam-se as montanhas rochosas e as formosas Vancouver e Victoria beijando o pacífico. No lado leste, a cosmopolita Toronto, a Montreal do Festival Internacional de Jazz e da cultura bilingue, e a formosa Quebec, com seu aspecto fake de cidade medieval e simpática arquitetura.

Vamos começar pela costa Oeste e discutir um roteiro bacana de férias para esta região.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Voando com Alegria e Humor? Vá de KULULA


    O embarque em um voo pode se algo prazeroso para aqueles que amam aviões e ficam, ao descer a escada ou subir, olhando de canto de olho para uma asa , um logotipo, ou mesmo o rabo de um avião.  
   Aquele cheiro  de combustível , misturado ao som de turbinas, pode ser uma sinfonia para quem, quando criança, tinha os aviões e os aeroportos como uma de suas paixões.
   Acredito que o outro lado da moeda deve existir.
 Se a alegria enche os olho de quem flerta com uma avião; para os que têm medo de embarcar nesses veículos aéreos, a sensação de estar se aproximando da entrada do mesmo deve ser a de se estar sendo engolido por uma fera brava, que poderá deglutir seu corpo, antes submetendo-o a balanços alucinados, como uma batedeira psicopata. Nomes como turbulência, socorro e may day  devem habitar o cérebro destas pessoas. Lembranças de desastres passados, de quem já foi, são o pesadelo ou o assunto preferido e involuntário destas pessoas.

  Será que isto poderia ser amenizado de alguma forma?
Não estou aqui para escrever de terapia de medo de voar. Muito ao contrário, desejo fazer conhecer como estes desprazeres podem ser diminuídos por uma forma diferente de encarar uma viagem de avião.

Aprendi como isso é possível voando pela empresa sul-africana KULULA.
https://www.kulula.com

    O nome pode parecer estranho. Mas trata-se de uma das principais empresas low cost da áfrica do Sul. Possui uma frota moderna, com equipes muito bem preparadas. Mas até aí, muitas são iguais.

O que diferencia a kulula de outras companhias aéreas é o astral do voo.

   Para começar, os aviões, de cor verde e branca, têm desenhos em suas fuselagens que vão de arte de rua a desenhos infantis, como setas apontando para partes do avião, focalizando o rabo,o  motor, a asa e uma safadíssima seta apontando par uma janelinha escrito “sua saída, melhor não”.
  Outros são em forma de um grande zipper, abrindo a fuselagem, como se houvesse uma camada branca central e uma cobertura verde. Um outro, ainda, possui quadrinhos, um bico em forma de bola de futebol, e haja imaginação...

   Mas o mais bacana ainda estar por vir. Os tripulantes agem como se aquilo fosse um teatro e estivéssemos entrando numa daquelas peças que você faz parte da trama. As explicações são todas em voz infantil. Há cantos, jograis e o mais gostoso, humor e ironia. Piadinhas e risos a toda hora. Você ri o tempo todo...

Tripulantes da Kulula

    Na hora da explicação do que fazer em situações de descompressão da cabine, o humor negro impera. Pedem que você aperte os cintos e sua barriguinha permitir. Dizem que têm cintos de transporte de hipopótamos se o seu não couber. Que antes de gritar aterrorizado coloque a máscara. Tudo de uma forma animada e alegre. As instruções de segurança escritas tem entre outras coisas , tripulates gritando. A coisa transcorre de uma forma tão leve e solta, que ao se chegar ao destino, os passageiros aplaudem os tripulantes , que agradecem como e fosse o final de um grande espetáculo cênico.

Simplesmente delicioso.

Conclui que o que falta na vida é humor.
                                         
             Como seria bom que outras companhias aprendessem com a kulula.
                      Haveria uma grande contraste com o que acontece nos aeroportos hoje, que viraram ringues de box no seu check in, no qual os tripulantes perderam seu charme e sua elegância do passado e também seu humor, olhando para os passageiros como se eles estivessem ali para incomodá-lo.
   Sabemos que suas escalas estafantes, salários indignos , passageiros estressados e mal educados são muitas vezes a razão disto. Mas se você é uma passageiro educado , que trata os outros bem e gostaria de ser bem tratado e portanto, não se enquadra neste grupo, certamente ficaria feliz de viajar pela kulula.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A COPA DO MUNDO E A ÁFRICA DO SUL

Nos próximos dias estarei de novo embarcando para a África.


Não é apenas pelo futebol, ou poderia até dizer que o futebol foi a perfeita desculpa que obtive para voltar a este continente.

Lembro-me que em minha primeira viagem à África, minha emoção era tanta, que não conseguia dormir direito uns 15 dias antes.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAMb9QZZSfJA-hyj5o9Ao4Cja0rjxK1fnrGA31lDY4eSPr6dTrI0BwRT1PhJf9QkUXWt8ydWmc4WmZjJJhLc7cQycWFhFF5-KOSlClYYwrVz89biDTTE2nE6vFxsoJ0X1c0dp_TvzPAvU/s600/richard+f+burton.jpg


O berço da civilização parece que tem um magnetismo que só quem conhece entende.


Lembro-me dos conquistadores ingleses, como o meu ídolo de leituras juvenis Richard Burton-não o do cinema- cujo feito de descoberta das nascentes do Nilo são uma de suas lendas.

Burton era um daqueles homens geniais que unem uma inteligencia impar, com conhecimento de línguas estrangeiras extraordinário, fora a capacidade de conhecer à fundo a cartografia, a história e outras fontes do conhecimento humano.

A minha África é a do Burton e de suas incríveis aventuras. Com as facilidades do mundo moderno, tudo fica bem mais alcançável. O continente está logo ali do lado, após 9 horas de vôo pela excelente South African Airways. Pena que não há voos para a Cidade do Cabo diretos, seriam somente umas 6 horas de viagem. Somente a Malaysian Airlines faz este voo, duas ou três vezes por semana, partindo de Buenos Aires.

Uma vez na África, impressiona cada detalhe.

Sem dúvida, sua geografia, sua fauna e flora são o maior encanto, que nos entorpece assim que começamos a viver seus primeiros dias.

Mas o que o marcará mais será o lado humano. Seja no aspecto da simpatia de suas diversas etnias, seja nas deliciosas diferenças entre elas, seja na riquíssima cultura que o atingirá não somente os olhos, por seus lugares, pessoas e arte; mas também seus ouvidos, com suas músicas e sons tão diversos e diferentes.

Portanto, se você terá o prazer de visitar esta terra mágica durante a maior festa da humanidade: a copa do mundo da FIFA; sinta-se feliz.

Largue os preconceitos e crie seus próprios conceitos. Você certamente há de querer voltar...


 
Livros de Richard Burton:
 
Brodie, Fawn, The Devil Drives: A Life of Sir Richard Burton (London, 2002)

Kennedy, Dane, The Highly Civilised Man: Richard Burton and the Victorian World (Harvard, 2005)
Burton, Sir Richard, To the Holy Shrines (extracts from Personal Narrative of a Pilgrimage to Al-Madinah and Meccah) (London, 2007)

Filme:
Mountains of the Moon, Momentum Pictures, 1989