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sábado, 4 de setembro de 2010

As rochosas Canadenses e o Lago Louise

   A minha viagem começa por Calgary. Esta cidade é a melhor porta de entrada para quem deseja conhecer as montanhas rochosas canadenses. Ao sobrevoar este Texas canadense, observamos uma grande planície coberta por um verde imenso de fazendas , que divididas uma das outras por fronteiras estreitas, chegam até o aeroporto da cidade. Escolhi visitar o Canadá no verão, o que acredito  tenha sido uma idéia razoável, para fugir do incômodo de seu frio inerente. Pousamos a 20 graus celsius, em um dia ensolarado, vindos de Los Angeles, após 3 horas de um  vôo  tranqüilo em um EMBRAER 190.


   Uma delícia pousar em um solo canadense em uma avião da canadian -companhia aérea do Canadá- brasileiro na sua origem, e justamente no país da concorrente bombardier.
  Após os trâmites de imigração e aos tradicionais questionamentos , saímos em busca da empresa de aluguel de carros. Caso você nunca tenha alugado um carro no exterior, talvez o Canadá, com suas estradas perfeitas, a "mesma mão" do Brasil, distância medida em km, seja um ótimo lugar para perder aquele medo que eventualmente você ainda possa ter de dirigir fora de casa.

   Saímos do aeroporto e pegamos a estrada para o parque florestal das montanhas rochosas (Banff, Lake Louise park), ao oeste. Depois de 2 horas em 135 km dirigindo por entre fazendas de trigo e cevada, por uma grande planície, chegamos ao portão do parque. Compramos um voucher referente ao número de dias que ficaríamos na região, o colocamos no vidro dianteiro e seguimos para o nosso hotel.
  Mais alguns bons quilômetros de estrada, passando agora por florestas de pinheiros e por riachos nervosos de chão de cascalho, típicos da imagem que se tem desse país, observamos ao longe as primeira montanhas: imponentes enquanto seguimos para nosso destino: Lake Louise.

   Em verdade, para conhecer a região, você pode optar por ficar em Lake Louise ou na simpática cidade de Banff.

   Uma outra opção que nos pareceu interessante seria alugar um motorhome – vimos dezenas- e seguir estrada acima. http://www.motorhome.com/
                                                
  Em Lake Louise há várias opções de hotel. Porém, se você for a esta região, o que provavelmente só acontecerá uma vez na sua vida,  planeje-se com antecedência , e pesquise sites de reserva de hotel para ficar duas diárias nele que é o mais celebrado hotel do Canadá e um dos seu maiores cartões postais: o Chateau Lake Louise. www.fairmont.com/lakelouise


   Um enorme palácio-castelo, que os engraçadinhos dizem parecer mais uma grande penitenciária, com um interior cheio de lojinhas e de restaurantes de um lado, e do outro lado o paradisíaco e verde lago Louise, redondo, na frente do hotel, com uma grande montanha por detrás , de onde desce como uma grande língua, uma geleira, cobrindo o seu maciço central. A visão é maravilhosa, e por você estar hospedado ali, faça destes dois dias, momentos bem tranqüilos para descansar , passear à beira do lago, tirar fotos e curtir a fauna humana que vai passando: os casais apaixonados, os estridentes japoneses, os deslumbrados europeus. Termine seu dia em um dos restaurantes internos, com vistas para este cenário magnífico. Lake louise é um daqueles locais , que pela sua beleza, serão inesquecíveis para você, e o fará lembrar que naquele momento você foi feliz nesta vida.
     Visite a simpática Banff, pertinho da nossa Louise. Estacione o carro perto da rua principal, ande pelas simpáticas lojinhas e compre lembrancinhas sinocanadenses. As estradas marginais da região levam a lagos, cachoeiras e belas paisagens recheadas de pinheiros e eventualmente de alguma vida selvagem, como um Caribu perdido ou um urso - se é que realmente restou algum.


   No terceiro dia , acorde mais cedo. Fique na torcida para que o clima esteja bom. Você iniciará os 232 km para o norte, pelas estradas da chamada icefield highway, aquele que é considerada uma das estradas mais bonitas do mundo, pela exuberância de suas montanhas , as cores vibrantes de tintas azuis e verdes de seus lagos, de sua geleiras eternas e seus picos nevados.


   Acordamos cedo, e após passarmos no centro de turismo na entrada de Lake Louise, nos munimos de uma mapa que mostra os lugares a serem visitados na estrada, e seguimos norte , em direção a Jasper.

   A estrada é para ser curtida bem devagar, como quem saboreia um último chocolate de uma caixa que não verá mais. Deixe a máquina fotográfica já preparada e comece esta extraordinária epopéia.

   São flores de diversas tonalidades, abraçando as laterais da estrada. Lagos de diferentes nomes e tons. Montanhas de tamanhos diferentes. Algumas com neve, outras de maciça rocha que o verão fez seus gelos derreterem. Lagos redondos, pequenos, enormes. Passarinhos. Roedores atravessando a estrada. Avisos de perigo de avalanche para os períodos mais frios. Florestas de pinheiros como a pele de muitas destas montanhas. A cada curva, uma nova visão deste paraíso em cordilheira. Para quem vem do calor tropical e das baixas montanhas, o cenário aparenta mais mágico ainda. Passam grupos de motociclistas, carros potentes, motorhomes. Você sente a necessidade de parar de tempos em tempos para uma foto. E segue o dia .


  Os 232 km de estrada vão parecendo curtos. Chega-se a um grande centro–athabasca- onde há um passeio em ônibus gigantes por uma geleira (questiono se não a destruirão no futuro, devido ao fluxo de turista. Mas ao pegar estrada e chegar à beirada da geleira, vejo que os megaonibus parecem pulgas em cima de um elefante que é a enorme formação glacial). E concluo que somos menores que uma pulga. Não somos nada na nossa pequenez e pressa que passamos por este planeta.
Caso você deseje realizar este paseio, não deixe de levar, mesmo no verão, um bom casaco e luvas de frio.


   Chegamos a Jasper. Optei por voltar para calgary no mesmo dia. Deveria ser mais sensato ir até Edmonton e dormir por lá, curtindo o maior shopping center do ocidente. Mas que importa. Inebriado pelos ares das rochosas canadenses tanto faz. O próximo roteiro será Vancouver...

“Oh Canada”.

“Oh Canada”.

      Ressoa em meus ouvidos a frase cantada em hino deste grande país.
  Com mais de 9 milhões de km2, o Canadá é o segundo maior país do mundo. E apesar de suas paisagens  alvigélidas a maior parte do ano, suas belezas são inquestionáveis. Com sua população morando praticamente toda a poucas centenas de km da fronteira sul do país mais rico do mundo, isto poderia contrangê-los. Mas muito ao contrário. Se alguém quer um argumento contra a idéia de que os EUA são a nova Roma, um destes seria que o grande império romano não teve, em nenhum momento, um vizinho invejado em que seus cidadãos vivessem melhor do lado de lá da fronteira.

  Quando viajo, gosto de ir muito além dos elementos geográficos, ou dos eventuais “pontos turísticos”. Um prazer é o de tentar descobrir, naqueles poucos dias de contato com as pessoas, qual é a alma daquele povo que se está visitando.

  O Canadá, com seu povo de dupla origem: inglesa e francesa, somado aos montões de imigrantes e de suas nova gerações de todos os cantos , principalmente asiáticos, transforma estas terras do norte em um dos países mais cosmopolitas do mundo. Este lado multiétnico canadense , associado a uma história baseada numa sólida democracia liberal política e também social, transforma esta terra em um dos maiores centros da tolerância, eqüidade de oportunidades e tranqüilidade social do nosso planeta. Sob a égide da presença da Rainha inglesa e do orgulho quebeçoise franco, incrivelmente lado a lado, com um tempero chinês, se extende esta grande nação.


  Para quem quer conhecer o Canadá, o primeiro passo é conseguir o visto de visitante, no seu consulado em São Paulo, no caso de brasileiros. Faça com antecedência.Um despachante de confiança é o melhor caminho e, depois de enviados os documentos de praxe que comprovam que você não é um possível emigrante, o seu visto avermelhado com um dos seus símbolos: um guarda da polícia montada, enfeitará o deu passaporte.

  Há vários canadás a serem conhecidos. Basicamente, aconselho a dividir o país em dois e conhecê-lo em momentos distintos. Na costa Oeste, situam-se as montanhas rochosas e as formosas Vancouver e Victoria beijando o pacífico. No lado leste, a cosmopolita Toronto, a Montreal do Festival Internacional de Jazz e da cultura bilingue, e a formosa Quebec, com seu aspecto fake de cidade medieval e simpática arquitetura.

Vamos começar pela costa Oeste e discutir um roteiro bacana de férias para esta região.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Voando com Alegria e Humor? Vá de KULULA


    O embarque em um voo pode se algo prazeroso para aqueles que amam aviões e ficam, ao descer a escada ou subir, olhando de canto de olho para uma asa , um logotipo, ou mesmo o rabo de um avião.  
   Aquele cheiro  de combustível , misturado ao som de turbinas, pode ser uma sinfonia para quem, quando criança, tinha os aviões e os aeroportos como uma de suas paixões.
   Acredito que o outro lado da moeda deve existir.
 Se a alegria enche os olho de quem flerta com uma avião; para os que têm medo de embarcar nesses veículos aéreos, a sensação de estar se aproximando da entrada do mesmo deve ser a de se estar sendo engolido por uma fera brava, que poderá deglutir seu corpo, antes submetendo-o a balanços alucinados, como uma batedeira psicopata. Nomes como turbulência, socorro e may day  devem habitar o cérebro destas pessoas. Lembranças de desastres passados, de quem já foi, são o pesadelo ou o assunto preferido e involuntário destas pessoas.

  Será que isto poderia ser amenizado de alguma forma?
Não estou aqui para escrever de terapia de medo de voar. Muito ao contrário, desejo fazer conhecer como estes desprazeres podem ser diminuídos por uma forma diferente de encarar uma viagem de avião.

Aprendi como isso é possível voando pela empresa sul-africana KULULA.
https://www.kulula.com

    O nome pode parecer estranho. Mas trata-se de uma das principais empresas low cost da áfrica do Sul. Possui uma frota moderna, com equipes muito bem preparadas. Mas até aí, muitas são iguais.

O que diferencia a kulula de outras companhias aéreas é o astral do voo.

   Para começar, os aviões, de cor verde e branca, têm desenhos em suas fuselagens que vão de arte de rua a desenhos infantis, como setas apontando para partes do avião, focalizando o rabo,o  motor, a asa e uma safadíssima seta apontando par uma janelinha escrito “sua saída, melhor não”.
  Outros são em forma de um grande zipper, abrindo a fuselagem, como se houvesse uma camada branca central e uma cobertura verde. Um outro, ainda, possui quadrinhos, um bico em forma de bola de futebol, e haja imaginação...

   Mas o mais bacana ainda estar por vir. Os tripulantes agem como se aquilo fosse um teatro e estivéssemos entrando numa daquelas peças que você faz parte da trama. As explicações são todas em voz infantil. Há cantos, jograis e o mais gostoso, humor e ironia. Piadinhas e risos a toda hora. Você ri o tempo todo...

Tripulantes da Kulula

    Na hora da explicação do que fazer em situações de descompressão da cabine, o humor negro impera. Pedem que você aperte os cintos e sua barriguinha permitir. Dizem que têm cintos de transporte de hipopótamos se o seu não couber. Que antes de gritar aterrorizado coloque a máscara. Tudo de uma forma animada e alegre. As instruções de segurança escritas tem entre outras coisas , tripulates gritando. A coisa transcorre de uma forma tão leve e solta, que ao se chegar ao destino, os passageiros aplaudem os tripulantes , que agradecem como e fosse o final de um grande espetáculo cênico.

Simplesmente delicioso.

Conclui que o que falta na vida é humor.
                                         
             Como seria bom que outras companhias aprendessem com a kulula.
                      Haveria uma grande contraste com o que acontece nos aeroportos hoje, que viraram ringues de box no seu check in, no qual os tripulantes perderam seu charme e sua elegância do passado e também seu humor, olhando para os passageiros como se eles estivessem ali para incomodá-lo.
   Sabemos que suas escalas estafantes, salários indignos , passageiros estressados e mal educados são muitas vezes a razão disto. Mas se você é uma passageiro educado , que trata os outros bem e gostaria de ser bem tratado e portanto, não se enquadra neste grupo, certamente ficaria feliz de viajar pela kulula.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A COPA DO MUNDO E A ÁFRICA DO SUL

Nos próximos dias estarei de novo embarcando para a África.


Não é apenas pelo futebol, ou poderia até dizer que o futebol foi a perfeita desculpa que obtive para voltar a este continente.

Lembro-me que em minha primeira viagem à África, minha emoção era tanta, que não conseguia dormir direito uns 15 dias antes.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAMb9QZZSfJA-hyj5o9Ao4Cja0rjxK1fnrGA31lDY4eSPr6dTrI0BwRT1PhJf9QkUXWt8ydWmc4WmZjJJhLc7cQycWFhFF5-KOSlClYYwrVz89biDTTE2nE6vFxsoJ0X1c0dp_TvzPAvU/s600/richard+f+burton.jpg


O berço da civilização parece que tem um magnetismo que só quem conhece entende.


Lembro-me dos conquistadores ingleses, como o meu ídolo de leituras juvenis Richard Burton-não o do cinema- cujo feito de descoberta das nascentes do Nilo são uma de suas lendas.

Burton era um daqueles homens geniais que unem uma inteligencia impar, com conhecimento de línguas estrangeiras extraordinário, fora a capacidade de conhecer à fundo a cartografia, a história e outras fontes do conhecimento humano.

A minha África é a do Burton e de suas incríveis aventuras. Com as facilidades do mundo moderno, tudo fica bem mais alcançável. O continente está logo ali do lado, após 9 horas de vôo pela excelente South African Airways. Pena que não há voos para a Cidade do Cabo diretos, seriam somente umas 6 horas de viagem. Somente a Malaysian Airlines faz este voo, duas ou três vezes por semana, partindo de Buenos Aires.

Uma vez na África, impressiona cada detalhe.

Sem dúvida, sua geografia, sua fauna e flora são o maior encanto, que nos entorpece assim que começamos a viver seus primeiros dias.

Mas o que o marcará mais será o lado humano. Seja no aspecto da simpatia de suas diversas etnias, seja nas deliciosas diferenças entre elas, seja na riquíssima cultura que o atingirá não somente os olhos, por seus lugares, pessoas e arte; mas também seus ouvidos, com suas músicas e sons tão diversos e diferentes.

Portanto, se você terá o prazer de visitar esta terra mágica durante a maior festa da humanidade: a copa do mundo da FIFA; sinta-se feliz.

Largue os preconceitos e crie seus próprios conceitos. Você certamente há de querer voltar...


 
Livros de Richard Burton:
 
Brodie, Fawn, The Devil Drives: A Life of Sir Richard Burton (London, 2002)

Kennedy, Dane, The Highly Civilised Man: Richard Burton and the Victorian World (Harvard, 2005)
Burton, Sir Richard, To the Holy Shrines (extracts from Personal Narrative of a Pilgrimage to Al-Madinah and Meccah) (London, 2007)

Filme:
Mountains of the Moon, Momentum Pictures, 1989

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Infinito


  Meu contato com você se deu em minha primeira viagem.
  Após 3 horas e meia de hélices, dores de ouvido e muita paciência dos passageiros vizinhos, pousava em seu seio.
 Era o dia 18 de Outubro, portanto, com longos e vividos 14 dias de nascido, conheci você, esta jovem senhora, que comemora hoje seus 50 anos.
 Cheguei lá de cima, pelos ventos  que me levaram , entre redemoinhos e horizontes longínquos.
 Em sua pista empoeirada, seu aeroporto de placas de madeiras desenhadas como as listas de uma camisa de um time de rugby, ou de um flamengo de listas azuis e azuis, não pisei o seu solo em meu primeiro contato.
 Muito ao contrário, fui carregado entre mãos de mãe, tias e curiosos em me conhecer.
 Mas se não pisei o seu solo em meu primeiro contato, e se muito menos beijei o seu solo como fazia um Papa santo até pouco tempo, iniciei ali , naquele momento, uma relação intensa e que nunca compreendi. Talvez porque nunca me compreendi.
Em poucos meses  tive a ousadia de começar a me arrastar e depois a caminhar em seu solo.
Você era jovem, vazia, com horizontes largos , cuja vista não tinha limites a alcançar.
Me deslumbrei então...
 A sua troca de roupas foi minha paixão instantânea .

  De dia , o seu vestido era imensamente azul . Lembro-me a olhar seus panos cor celeste e quantas vezes eu vi estrelas cadentes caindo como gotas de ouro de sua longa veste.
  Flertava-a, porque a achava certamente muito bela. Por muitos anos acreditava que te olhava somente por ser mais fácil sonhar assim fazendo-o. Coisas de sonhador...
  Mas muito tempo depois descobri que era você meu primeiro amor platônico. Um amor que jamais se consolidou, nunca me foi completamente aceito, mas que me traio quando desvio meus olhos para você , fingindo desinteresse, quando a vejo.
 Meu Deus.
  A intensidade destas sensações era maior à noite, quando os instintos se liberam e o corpo não reage com repressão.
  A sua roupa noturna era uma veste imensa, de azul escuro intenso, com algumas manchas ligeiramente alvas que te encobriam, como restos de algodão doce que tivessem caído e uma mão grudenta e de bocas gulosas. Havia infinitas estrelas a piscar e enfeitar seu manto. As conseguia enxergar tão bem que algumas pareceriam mais amarelas, outras me pareciam avermelhadas , outras me pareciam fixas e as demais piscavam mais ou menos intensamente, como a iluminação de uma árvore de natal de fontes de energia díspares.
E eu, ficava ali deitado sobre o gramado, olhando para você...
Você cresceu, eu cresci...
A correria do dia a dia raramente me possibilita olhar para você e suas lindas roupas.

  A mais bela vestimenta sua  então, nunca mais vi.
  Aquela que a cobre  de matizes amarelos, dourados, alaranjados, vermelhos, azuis e cinzas entre tantas menos conhecidas cores , que somente filatelistas conhecem, como o  magenta, carmins e sépia...
 E como confundem minha alma racional, deixando-me sem reação, a não ser olhá-la. Visão esta  que certamente  encantaria qualquer pintor, que gulosamente comem imagens e bebem sensações e as transformam em tintas devolvendo-as em telas mágicas,
Infelizmente não sou pintor...
 E o astro rei, em seu repouso transforma este seu  vestuário a cada segundo.
 Triste de mim  não poder parar a  cada  momento deste e olhar para você de novo. Ver a sua troca de roupas e me inebriar com seu charme e grandeza.
  Mas estes 50 anos, em que você se tornou tão grande, ainda mais ininteligível para mim, quero parar de novo e olhar para você .
Como eu fazia quando era criança.
Sem pensar muito.
 Só te admirando.
Sabendo que você tem muito mais que os 50 que te dizem possuir.
 Pois você é infinito, meu céu de Brasília....


Obs. Se voce estiver em Bras[ilia em um dia ensolarado, pegue um taxi as 17 horas e pe;a para ir ao Pontao. Procure um de seus bares tipo Mormaii ou o Bier Fass e curta o por do sol em alto estilo

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Caramujo e Las Vegas

Raphaele Goisque

   Quando era menino, eu tinha o hábito de brincar no jardim. Lembro-me da imagem de um caracol à beira do paralelepípedo branco, típico da quadras brasilenses.
   Lembro-me de estar sentado, observando o seu comportamento. O pobre caramujo parecia somente uma conchinha em espiral. Eis que de repente ele se movia, exteriorizava sua cabecinha gelatinosa e começava a balançar, como um maestro com sua batuta, as suas “anteninhas”.
  Aqueles movimentos eram um misto primordial de tato, olfato e visão do bichinho. Ele balança suas pequenas protuberâncias e eu colocava o meu rosto inclinado bem perto de sua lenta armadura. O mesmo parecia querer começar a se arrastar, mas era impedido pelas ondas de temperatura, pela minha respiração e vibrações de rosto de menino curioso e inquieto.
   Cansava-me de sua aparente indolência. (Mais tarde aprendi que cada um vive em sua velocidade própria).   Deixava meu frustro amigo e ia atrás de novas invenções. Ficava atrás um caracol assustado, impressionado com o meu tamanho, mas agora reconfortado pela minha  ausência. E voltava a ser feliz no seu mundo de caracol.
   O papel assumido pelo meu caramujo é exatamente o mesmo que sinto quando visito alguns lugares. A grandiosidade dos estímulos que chegam a meus sentidos também me enebriam, me deixam tonto, e demoro um pouco para me acostumar com todas as sensações que estes lugares me transmitem. Se a grandiosidade é tamanha, a ponto de excitar todos os meus medos, fujo em mim, como meu caracol.
  Talvez seja por isso que não consigo gostar de Nova Iorque, por mais que tente. São estímulos demais e não consigo aguentá-los. Me dá medo.
   Mas acho que isso não é justificativa, pois conheci, me assustei e depois me deslumbrei com Las Vegas, a 'rainha de todos os estímulos'.
  São luzes, pessoas, ambientes, barulhos de carros e de caça- níqueis e gente, gente, gente...
  Todo mundo já ouviu falar da cidade criada no meio do deserto, com alcunhas diversas que vão de “cidade dos jogos” a “cidade do pecado”. Todas são verdadeiras dentro de suas diferentes ópticas.
  Mas como acontece com nosso caramujo, tudo depende da forma que você “metabolizar” as sensações que esta cidade deslumbrante tem a te oferecer.
  Se por um lado o seu aspecto luxuoso Kitch exagerado pode incomodar, por outro lado, há aspectos próprios da cidade que a torna sem dúvida nenhuma um dos melhores destinos para uma agradável semana de viagem na América do Norte.
Hotel Bellagio

   Normalmente Las Vegas é feita visitar em conjunção com outros destinos da costa oeste americana, principalmente com a deslumbrante Califórnia, uma vizinha tão atraente.
  Mas quer um conselho. Se for à Califórnia, explore-a a fundo, somente ela. A Califórnia por si só já basta.
E como não se deve beber um vinho raro em uma só golada, como quem toma um refrigerante, Las Vegas também deve ser dissecada aos poucos, em suas facetas, em pelo menos uns cinco dias. Mas se quiser ficar uma semana, vai ter o que fazer.
     Em primeiro lugar entenda a cidade:
Uma larga e longa - larga mesmo- avenida que cruza de um lado a outro a cidade,a “STRIP” ou Las Vegas Boulevard, em vários quilômetros a serem percorridos e deglutidos a pé, rodeado por inúmeros hotéis e lojas.  Tem de tudo.Lojas gigantes de MM (chocolate), coca cola, carros de corrida, Harley Davidson e etc...
Contudo,os hotéis são o mais impressionante.  Para você entender o que é cada hotel em Las Vegas, você tenha em mente o maior resort que você já conheceu. Pense-o agora bem miúdo perto do gigantismo dos hotéis desta Strip.
  E para completar, a maior parte deles é temático. Existe hotel que tem como tema Paris, ou a Roma antiga, ou Veneza, ou o Egito, ou castelos medievais  e hotéis não temáticos de beleza e luxo impressionantes.
 Debaixo de seus suntuosos prédios de milhares de quartos, estão suas bases preenchidas por áreas de cassinos imensas e, o que é mais interessante, áreas de lojas de shoppings para rivalizar com qualquer lugar do mundo, junto a pitorescas atrações, específicas de cada hotel.
Há shows de piratas, vulcões em erupção,  leões enjaulados- coitados- espetáculos de fonte luminosa e outras parafernálias.
Fonte luminosa do Hotel Bellagio

    O segredo é entrar em cada hotel e explorar suas entranhas.
Mas o melhor de Las Vegas eu ainda vou citar: São os seus inúmeros shows noturnos, restaurantes e bares.
Certamente Vegas tem a melhor noite do mundo.
São espetáculos o ano todo, os mais diversos. Alguns são fixos e outros não. Vale sempre dar uma olhada em www.ticketmaster.com para ver o que está rolando por lá na época que você for.
  Imperdível, em matéria de espetáculos, são as apresentações do Cirque du soleil. O mesmo está presente na cidade no imperdível e inesquecível LOVE , que conta a história dos Beatles, no gracioso e aquático “O”. No show mais "cara de Cirque" como você conhece “Mystere”. Há também o interessantíssimo erótico-bem comportado “Zummanity” e o caríssimo e ultra exagerado “KA” onde, se fosse uma escola de samba, eu diria que o carnavalesco perdeu o tom e exagerou no enredo.

http://nevadamagazine.com/images/articles/Love.sig.jpg
                                                             Love do Cirque du Soleil

 
   Vá a pelo menos dois deles, sendo um deles obrigatoriamente o LOVE, exibido em dois horários á noite.
Os bares e restaurantes também são uma maravilha, sem necessariamente serem   coisa de milionários.
  Além dos exagerados buffets que aconselho a você ir um dia pelo menos ao do HOTEL PARIS e ir também a restaurantes interessantíssimos que normalmente só existem em Nova Iorque ou Chicago, como o Joe's e seus caranguejos de pedras marinhas  http://www.joes.net/ ou uma maravilhosa lagosta com filé honestíssimo em seu custo no The Palm  http://www.thepalm.com/.
Se você gosta de música, como o famosíssimo Blue Note fechou, na terra do jazz, que tal procurar uma grande apresentação: http://www.jazzlasvegas.com/
Ou um dos inúmeros shows que acontecem nos bares nos cassinos de noite, a maior parte deles gratuitos.
http://govegas.about.com/od/livemusicinlasvegas/Live_Music_in_Las_Vegas.htm
Ou quem sabe dançar no Studio 54 a la Travolta com sua turma no Hotel MGM.

  
  São centenas de bares e lounges. Não sinta-se constrangido em relação a custos. Nos EUA um aspecto sempre bacana é a presença de cardápios nos site dos estabelecimentos e nas entradas dos bares e restaurantes. E aqui ninguém se incomoda se você vai somente tomar um vinho em taça ou, o que aconselho, brindar com uma taça de espumante ou champagne.
Se você quer simplesmente sentar e ver a fauna passando, vá ao hotel New York New York. Lá existem diversos locais para uma boa cervejinha sentado a uma mesa , como em um bar.


Hotel Paris e sua torre

E que tal um café da manhã no francês Payard no Caesar Palace Hotel? Os doces são maravilhosos.


 Em relação a compras, o forum do mesmo hotel- o Caesar- é imperdível.





Assim como as lojas do VENETIAN, que valem um passeio continuado ao luxuoso WYNN.
                                               http://www.casinobillionaire.net/artigos/shopping-em-las-vegas-venetian.jpg
                                                 Lojas do Venetian Hotel

Mas a melhor compra da cidade é uma loja chamada FRYS de eletrônicos- provavelmente a melhor do gênero nos EUA. é imperdível.



                                                              Fry's store

 Para se locomover na cidade, aconselho você usar seus pés e conhecer os hotéis por setores, dividindo o dia para conhecer três a quatro hotéis, depois esticando para um show á noite a pé ou de taxi , que são abundantes e honestos. Encontrei um taxista roqueirão e um outro do Myamar que gostava de futebol e que deram um papo delicioso.
 Contudo, cuidado com os horários dos shows. Os engarrafamentos são grandes e é sempre uma multidão digna de rodoviária em véspera de Natal.
Noite de Vegas

Faça uma esticada com uma agência de viagens para conhecer o Grand Canyon em um dia , ou se tiver a possibilidade, alugue ainda no brasil em www.kayak.com um carro do aeroporto de Las Vegas, viaje até lá e durma em um dos hotéis- cabanas perto do parque do Canyon, voltando no dia seguinte. São em trono de 330 km.




Faça isto no meio de seus dias em Vegas, para quebrar um pouco o frenesi exagerado da viagem. Veja hotéis em www.grandcanyonlodges.com  ou http://www.expedia.com/.

  Além disto existem os famosos outlets, o mais interessante dele ao lado da loja FRYS chamado Town Square, bem simpático, e outro de cadeia, o Premium Outlet, menos atraente, do outro lado da cidade, mas com as marcas que a brasileirada acha legal por preços convidativos. Uma manhã por lá valeria á pena.

A questão que resta é quando ir e também onde ficar:
   Evite os meses de verão. Pode fazer mais de 40 graus o dia todo. Não dá para aguentar. O resto do ano é mais suportável. Mesmo no inverno dá para passear, perto de zero- de casaco- mas sem muito incomodo.
Hotel Monte Carlo

Lembre-se que a maior arte do tempo estrá dentro de áreas fechadas.

      Definitivamente não faça a bobagem de ficar longe da Strip – a Las Vegas Boulevard- mesmo que seja em um atraente HARD ROCK hotel. Dê um pulinho lá á noite de taxi.
Fique de preferência em um dos hotéis mais centrais da strip.
Quer minha opinião. Escolha entre os hotéis CAESAR PALACE, PARIS ou um pouco mais em conta BALLYS ou TROPICANA pela localização.
   BELLAGIO ou VENETIAN ou WYNN, MONTE CARLO  somente se você conseguiu uma hiper-promoção. Por outro lado, hotéis no início ou final da Strip, como o Egípcio LUXOR ou o CIRCUS CIRCUS podem ter preços muitos baixos, justificando-se ficar lá por isso.
Hotel Excalibur

   Mas você terá que caminhar muito para rodar. O mesmo se aplica ao MGM, NEW YORK NEW YORK, EXCALIBUR ou os chiques MANDALAY. Mas são todos muito bons. Dependendo dos dias da semana o preço varia muito. Veja as ofertas para a época que você quer ir em http://www.tripadvisor.com/

Hotel New York New York

Parece impossível se falar em Vegas sem se falar em jogos, mas o foi o que eu fiz aqui. Não jogo um níquel.

  Faça um planejamento de cada dia, e tenho certeza que ficará encantado com esta estranha e deslumbrante cidade, que se  por um lado choca pela jogatina e pela oferta de cartões de prostituição por todos os cantos, impressiona pelos seus neons á noite, e pela sua riqueza de coisas interessantes para se ver.

É para deixar qualquer caramujo tonto de tanto estímulo.....

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Os Milagres de Fátima

  O dia era 13 de Outubro de 1917. O fato a acontecer havia sido descrito por pequenos pastores do interior. Haveria um milagre no céu. Milhares de pessoas correram á pequena cidade de Fátima, em Portugal, em busca do pretenso fenômeno. Havia uma mistura de fé, curiosidade e e também de incredibilidade.

"A 13 de Outubro de 1917 estavam mais de 70 000 pessoas reunidas na Cova da Iria, em Fátima, Portugal. Tinham vindo presenciar um milagre que tinha sido anunciado pela Virgem Maria a três jovens visionários: Lúcia dos Santos e os seus dois primos, Jacinta e Francisco Marto […] Pouco depois do meio-dia, a Nossa Senhora apareceu aos três visionários. Quando estava prestes a partir, apontou para o Sol. Lúcia repetiu o gesto, emocionada, e as pessoas olharam para o céu […] Depois, uma onda de terror varreu a multidão porque o Sol parecia romper-se dos céus e esmagar as pessoas horrorizadas […] Justamente quando parecia que a bola de fogo iria cair e destruí-los, o milagre parou e o Sol reassumiu o seu lugar normal, brilhando pacífico como nunca". ( Dawkins R., Universidade de Oxford)
  O acontecimento foi discutido e ainda o é por diversas fontes.
 Milagre, fenômeno meteorológico, um disco voador, histeria ou alucinação coletiva, são algumas das defesas que se fazem do fato.
 A realidade contudo, é que , de forma indiscutível, os pequenos pastores foram capazes de antever o acontecimento . E em realidade o mesmo ocorreu.

  Em um ano que mudou a história do mundo, com acontecimentos como a revolução soviética, alguns meses antes, os céus davam sinais que muitos viram e acreditaram, apesar da aparente incredibilidade natural de muitos.

  Noventa anos depois, estava eu e minha esposa em Lisboa. Era o dia 12 de Outubro e queríamos ir a Fátima no dia de aniversário do milagre.
  Como aconteceu sempre comigo em visitas a Portugal, procurei informações no hotel e em restaurantes de como chegar a Fátima no dia seguinte, e todos os que me comuniquei passaram-me a idéia de que deveria desistir do meu intento. Diziam ser muto difícil, ou que deveria procurar um tour que fosse a Fátima e outras cidades próximas, o que não era o meu desejo.

  Como em outras viagens a este país que tanto queremos bem, resolvi usar a estratégia de comunicar-me em inglês, o que sempre funcionou, curiosamente. Desta forma, consegui a indicação de como chegar a Fátima.

  O dia 12 de outubro de 2007 foi um dia chuvoso e preocupava-me com o clima no dia seguinte, e nos desconfortos que teria em Fátima, com sua enorme praça sob tanta chuva.

  O caminho para Fátima, 1h e 30 minutos de viagem de Lisboa, pode ser facilmente realizado a partir da Rodoviária de Sete Rios em Lisboa. No site http://www.rede-expressos.pt/, você tem todas as informações de pontos de venda e de horários de saída, que são muitos. O preço é de 20 euros ida e volta. Chegue cedo e fique já na plataforma de embarque, pois nem sempre- aconteceu conosco- os lugares marcados são levados a sério. A viagem em si foi uma delícia, tendo em vista as paisagens de estradas tão bonitas e os diálogos entre senhoras portuguesas, amigos e parentes, sobre seu dia a dia e sobre suas questões familiares, com a peculiar simpatia das gerações passadas lusitanas.

  Ao chegar ao ponto final, em Fátima, basta uma caminhada em torno de 200 metros e vc estará na praça do Santuário de Fátima. Certamente , independente de sua fé ou religiosidade, este é um dos pontos mais importantes de peregrinação pela fé do planeta.

  A emoção transmitida pelas milhares de pessoas ali presentes jamais me será esquecida. Certamente há poucos sítios de peregrinação de qualquer religião, que podem ser comparados a Fátima. Acredito que se sua formação é católica ou cristã, ou se você nasceu em um país cristão, certamente, como fazem os muçulmanos em seus locais de fé, deveria uma vez na vida ir a Fátima.

  Confesso que me incomoda um pouco o inevitável e crescente comércio de peças religiosas, muitas vezes de origem chinesa, que se espalha pela cidade, como em outros locais religiosos. Contudo, sei que muita gente vive deste ofício e objetos religiosos como um terço , um medalha ou uma estatueta, se comprados em Fátima, têm seu valor especial e transcendem a idéia de "só comércio",principalmente por ser especialmente bela a imagem da Nossa Senhora de Fátima.

  Ao chegarmos à imensa praça do santuário, http://www.santuario-fatima.pt/portal/, fomos também testemunhas de um pequeno e de um grande milagre.
  O pequeno milagre é que aquele dia 13 de Outubro foi o dia mais ensolarado e bonito que já presenciei em minhas idas Portugal, contrariando veementemente todas as previsões do tempo.





Mas o segundo milagre, foi muito maior:
 O segundo milagre é de origem espiritual.
  Imagine milhares de pessoas ajoelhadas. Pessoas das mais diversas origens,  raças, idiomas e culturas tão diversas. Imagine todas estas pessoas congregadas por um ideal único, apesar de suas disparidades . Pessoas que rezam, que caminham áridos metros de joelhos agradecendo promessas, que acendem velas e que sobretudo, se emocionam.
 Foram horas em que fomos testemunhas do mais espetacular movimento de pessoas, todas unidas, dividindo seus desesperos, seus desejos, suas tristezas,sua felicidades; seus pedidos possíveis e impossíveis, sob a égide da ESPERANÇA, o motor-mestre que permite o homem continuar lutando e vivendo- o resíduo da caixa de Pandora- tão essencial a acreditarmos em um amanhã.


Não havia ódio, preconceito, ou pecados naquele momento. Somente pregação, admiração e respeito.

   Certamente este foi o grande milagre daquele dia.
  Na 1h e 30 minutos da viagem de volta- já no final do dia- Minha esposa disse com felicidade que ali em Fátima, o maior milagre, foi o de três crianças de origem humilde agregarem, muitos anos depois, a esperança de tanta gente em volta de um lugar  e de uma imagem, que estará infinitamente no coração de Portugal e nos corações dos que notaram que algo mudou dentro de si naquela visita...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O povo mais elegante do mundo

   ELEGANCE SANS DÉCADENCE

 Em matéria de elegância, especialmente feminina, é impossível que não lembremos das ruas parisienses como a Faubourg St.Honoré e tantos outros endereços pela cidade luz.

  Em Nova Iorque, espalham-se pelas suas diversas avenidas numeradas, e pelas suas Lexingtons avenues as giffes mais chiques do mundo. Isto sem falar de Milão, com seu design especial masculino.

Mas, o que é ser elegante?

   Segundo Coco Chanel  "Elegância é tudo aquilo que é belo, seja no direito seja no avesso."

Mas nenhum conceito é tão feliz quanto o de Honoré de Balzac: “O incapaz se cobre; o rico se enfeita; o presunçoso se disfarça; o elegante se veste."

 Realmente, ser elegante vai muito além de vestir roupas ou peças caras, de boas origens e de casas famosas. A elegância é uma atitude que vai muito além de suas vestimentas.

 Já conheci senhores sempre de ternos Armani que passam desapercebidos , tal a sua incapacidade de se mostrar elegantes. Por outro lado, outro dia tive o prazer de conhecer uma menina de 7 anos, que customizava suas roupas e que se colocava na minha frente com um lenço dourado no pescoço, sobre uma roupa impossivelmente combinável, que produziu um efeito absurdamente bonito aos olhos. Tenho uma esposa elegante e ela me inspira o tema.
Tendo como foco esta visão, não tenho nenhuma dúvida que , se você aprecia pessoas elegantes, não deve ir a Paris, Nova Iorque ou Milão.

Para se deleitar com a mais fina elegância do mundo, aconselho a você, um dia na sua vida, visitar a Etiópia.

Neste momento, certamente você pode estar achando que ruleiteviajante ficou doidinho. Mas permita-me algumas linhas escritas que comprovarei o que estou afirmando.

A Etiópia certamente  lhe trás á memória da terrível situação de fome que passou há pouco tempo com uma terrível seca, que atingindo seus 60 milhões de habitantes, produziu a imagem de crianças marasmáticas, morrendo esquálidas, com seus ossinhos á mostra e choro fraco sob mamas maternas murchas , sem leite. Realmente um triste retrato da fome mundial, na sua maior crueza, que jamais unirá organizações internacionais na quantidade necessária de recursos humanos e materiais para resolver tal mazela humana.

 E é neste território de sofrimento e descaso humano, onde um terno Armani serviria para salvar uns 20 meninos , que lá na floresta, temos o povo mais elegante do mundo, mesmo a quilômetros da primeira loja de griffe mais próxima.

Trata-se dos povos do Rio Omo, na região sudoeste do país. Rio famoso por seus raftings e por seu povo singular.
Etiópia e vale do rio Omo
 O rio Omo nasce no Monte Amhara , localizado perto da capital deste país do oeste africano, Adis Abeba ou Addis Ababa. O rio corta vales profundos e cenários únicos no interior da Etiópia , com vilas ao seu redor, sem estradas ou desenvolvimento, como um passeio por nossas vilas amazonenses.

Rio Omo

 
 Os grupos étnicos mais famosos são as tribos Mursi e Surma, que entre mais de 45 etnias , de idiomas e características distintas, habita a área. As mulheres e crianças destas tribos enfeitam seus corpos e utilizam diversos utensílios na cabeça e lábios, de forma a se tornarem ainda mais belas. Estes povos vivem de caça e da criação de gado nas vizinhanças do rio.
Estes povos pintam seus corpos usando pigmentos de sua terra, e têm o hábito de “trocar de roupas” até três vezes ao dia, numa velocidade espantosa.

A sofisticação de suas pinturas assombra pela beleza. É um diálogo com a natureza, com seus tons e arranjo chiques, muitas vezes lembrando pinturas impressionistas.

O fotógrafo alemão HANS SILVESTER , em sua maestria, soube como ninguém captar a beleza deste povo.

As fotos são de uma elegância impressionante. HANS SILVESTER tem publicado em livro estas fotos, facilmente encontrável em sites de livros com a amazon.com. (Título: Ethiopia: Peoples of the Omo Valley).
Um deleite ao bom gosto.

Caso você deseje conhecer em loco este belo país, aconselho as operadoras:

http://www.ankelba.com/index.php?id=41

http://www.asmat.eu/

http://www.remoterivers.com/en/docs/home.php

Todas elas têm passeios para conhecer a região a partir da capital
A parte áérea pode tb ser arranjada de qualquer grande cidade européia e vc pode combinar com passeios  por suas magníficas reservas florestais com seus animais.
BOAVIAGEM E DELEITE-SE COM A S FOTOS
É SEM DÚVIDA ELEGÂNCIA PURA .


















MAIS EM:  
 http://galerie.toiquiviensdethiopie.com/v/peuples-ethnies/silvester/?g2_fromNavId=x0e7a8181

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Primeira Noite na Savana Africana

Rolinha Fogo-Pagou
http://www.flickr.com/photos/anasouza/316043936/

São cinco da madrugada. Meu sono é imediatamente interrompido por um som. Ou por muitos sons. Não há mais como dormir.

Penso: Você não está em uma festa rave. E também não está sonhado.

Acredite: Você está no meio de uma savana africana, em sua cama, dentro de um bungalow, bem no centro de uma reserva- uma game lodge.

Depois de alguns segundos de auto-questionamento, agora você se localizou.

É isso mesmo.

Trata-se de ser testemunha de um dos momentos sonoros mais impressionantes possíveis.

Seu ouvidos estão acostumados a sons que vão da delicadeza de uma sonata de Chopin à deliciosa sonoridade pesada de um ACDC- energia total. Mas este som é novo. Na verdade , um conjunto de cantos, chiados, cliques, gritos e sussurros. Uma melodia aparentemente anárquica e giganteeeeeeesca!!!

Depois de alguns segundos, você observa que aquela sonoridade aparentemente disforme tem ritmo, resposta, contraponto. Como se fosse uma orquestra bem louca pela sua criatividade.

Dos diversos sons que escuto, distingo somente um deles. A da famosa rolinha fogo-pagou, que habitava a gaiola de um querido tio avô de alguns almoços de sábado perdidos em minhas lembranças.

Os outros são estranhos. Mesmo para quem vive em um Brasil de tantos pássaros, aquele espetáculo me assusta, me acorda, me comove e me emociona.

Meu instinto é agradecer a Deus aquele momento ainda de madrugada, quando nos confins de uma selva africana, no meio de um nada, que em realidade é tudo, sou espectador tão privilegiado daquele show.

Não há espetáculo broadway, off broadway, ou qualquer comparação com aquele momento.

São dezenas ou centenas de passarinhos e também grandes pássaros. A sinfonia se repete , em intervalos de alguns minutos, com a mesma melodia, como uma obra de Ravel.

Na sonoridade , ouço sons delicados como uma flauta, outros que lembram um violino e até um contrabaixo ao fundo. Outros soam tão estranho quanto nossos medos.

Jamais esquecerei a minha primeira noite em uma savana africana.

Minha primeira madrugada, minha primeira impressão, meu total encantamento.

Agradeci novamente a Deus por estar ali, e voltei a sonhar....


Ouça mais de mil sons de pássaros africanos em:
http://www.xeno-canto.org/africa/